Publicado por: a Casa | Janeiro 31, 2010

oMundoMeu

http://omundomeu.tumblr.com

Sim, esse é divertido :)

Querido,
por que não me escreve com a mesma frequência de antes? Despedi-me de ti com olhos marejados e já cheios de saudade… Nada pesa sua consciência?

Segurei-me forte junto ao porto: serei sempre aquela que esperará. Portos não perseguem navios, meu Bem. É simples e doloroso assim.

A cada dia que passa e junto à praia você não volta, conto minha meia vida, que antes era cem por cento. Sou hoje um fantasma das nossas fotos, risos e cheiros. Ainda sinto sua mão no meu ombro quando penso em chorar, e seus lábios nos meus quando penso em desistir… Por que não volta?

Olho para frente, o vento sopra palavras de consolo. O céu mistura-se com o mar: foi ali que se perdeu de mim? Meio a essa imensidão azul-heróica… Pra mim você nunca precisou ser nada mais que homem. Todavia sempre compreendi seu desejo e dom para empunhar a espada e as armas e a coragem dos homens que na terra caminham.

Querido, você precisa voltar… Nossa filha já aprendeu a chamar por você… Não consegue ouvir?

Estarei no porto esperando você voltar para o seu lado da cama, para a sua manhã de domingo enroscado em mim, para a vida que me prometeu continuar antes de partir.

Com uma vida de curtos passos e poucas palavras no colo,
a Esposa.

P.S.: Na proxima carta lhe mandarei um desenho que nossa filha fez quando viu uma foto sua de farda.

Festa de Despedida

http://versoseprosa.wordpress.com/2010/01/23/carta-dos-que-habitam-as-aguas/

Publicado por: a Casa | Janeiro 27, 2010

Um mundo cego à sua presença…

Há tempo desejo dar-te algo
que ainda não sei exatamente como será.
Mas finalmente compreendi meu papel nisso tudo.

Eu sou a consessão para falar
e o desespero para me encontrar.

Você nunca me prometeu nada
e eu sempre fingi que havia.
Só não se esqueça que
o que eu não vejo
é apenas fingido.

Espero que quando o fim estiver chegando
você saiba o caminho de volta,
saiba desascelerar,
saiba me dar o que antes não pôde.

Publicado por: a Casa | Janeiro 21, 2010

Nada pára

Ouvi que a vida é o que se briga lá fora,
sob o sol ou a chuva, desejando uma nova aurora.

A vida é também um pouco de sorte
e um picolé para refrescar a morte.

Vi que o tempo nem sempre cura…
E que nem sempre esqueço qualquer uma jura.

Confesso que nem todo dia saberei como ser madura
e deixar de ser qualquer outra criatura.

Sempre tive com o amor um problema,
que pra mim é um insolucionável sistema.

Morro de medo de perder o que consegui
e de cair por terra tudo o que um dia cri.

Não gosto sequer do que sou,
mas admiro o que restou.

Publicado por: a Casa | Dezembro 29, 2009

Impressões

Se a Sophie tivesse um filme para descrevê-la, este seria:
Moulin Rouge

Se a SindokaH! tivesse um filme para descrevê-la, este seria:
13 going on 30

Se a Sindy tivesse um filme para descrevê-la, este seria:
The Proposal

Publicado por: a Casa | Dezembro 24, 2009

Lua do Meio Dia

Andei hoje pelas ruas
e o único cheiro que eu sentia
era do Podre.

Lixo? Putrefação?
Não sei.
Só descobri que o cheiro vinha de dentro de mim.

Estou morrendo?
Não.
Estou Endurencendo.

Publicado por: a Casa | Dezembro 18, 2009

Jogaram-me uma maçã vigiada por uma cobra

Infalivelmente, percebi que Amor não dá em árvores…
E agora?

Quem corre? Quem fica?

Publicado por: a Casa | Dezembro 17, 2009

Vai vedrai

Possibilidades insuficientes,
realidade qual queima lentamente
como gotas de limão escorrendo junto a pele.

Adeuses ferozes,
adeuses amuados e perdoados.

Se não derramas uma lágrima
enquanto me esvaio em dor e água salgada,
por que, através deste vidro,
o vejo sofrer?

Publicado por: a Casa | Dezembro 17, 2009

Aiuto!

O escapismo trágico
de uma realidade romântica.

.
.
.

[*Tudo por não acreditar no que me é dado. Preciso que não parem de insistir em me abrir os olhos. Preciso ter fé na beleza real, aquela tangível.]

Publicado por: a Casa | Dezembro 15, 2009

Pensamento XXXII

Joguei cacos de vidro na entrada
esperando que ninguem passasse,
mas me esqueci que anjos voam.

Publicado por: a Casa | Dezembro 8, 2009

Premonizioni

03 de novembro

Sou mulher que verá e sentirá
a dor de um parto normal
sem o Amor do lado.

Serei aquela que levará o filho de 7 anos
ao campeonato de natação.
Torcerei por ele e o apoiarei sem o Amor comigo.

Farei compras de supermercado e trabalharei fora.
A casa estará sempre arrumada
esperando o Amor chegar…

Chegar do trabalho,
chegar da viagem,
chegar da reunião,
chegar da hora extra imposta por si mesmo…

Estaremos sempre esperando, o amando.

Mas se ele não puder chegar na hora da janta
que preparei para nós no aniversário de casamento,
ele irá ligar…

Atrasado, mas irá ligar…

Publicado por: a Casa | Dezembro 8, 2009

Vapor

23 de novembro

O crepitar da sua chama
tem o mesmo som das minhas águas
caindo grossas e altas
em pedras de tempo.

Publicado por: a Casa | Dezembro 8, 2009

Pensamento XXXI

25 de novembro

A vontade vem,
o sentimento também.
As palavras me fogem,
a alegria idem.

Publicado por: a Casa | Novembro 19, 2009

Na curva dos Tempos

Escrito dia 27 de Agosto de 2009

Meu tempo passava e ela ficava.
Meus cabelos brancos choviam em mim como neve,
e atrás no tempo ela ficava leve.

Minha pele murcha me encontrava
como saco de lixo pronto para ir.
E no tempo estática ela ficava sorrindo.

Eu velho e esperando o fim,
entediado cansado, a velhice fugaz.

Ela não quer me acompanhar?
Não quer passar e viver comigo
a metamorfose dos tempos?

Vivo sozinho.

Minha hora chega. O fim dos tempos.
E ela parada, sorrindo. Uma eterna estrutura
lapidada em forma de anjo.

Eu tenho lugar certo.
Mas para onde anjos vão?

Publicado por: a Casa | Novembro 19, 2009

Sem título

Dia 18 de Agosto de 2009
[Escrito com 2 sílabas métricas!]

Deixastes
de tudo
apenas
sozinho
o pobre
e vivo
e bruto
eu mesmo.

Piedade,
nascestes
sem tal,
e podes
ficar
feliz
então
me vendo
sofrer.

É triste,
é sim.
Mas quem
irá
salvar
a pobre
pessoa
de tal
ausência
de juízo?

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